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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Uma criança não é um adulto em miniatura

Uma criança não é um adulto em miniatura. Seu psiquismo não funciona do mesmo modo para apreender a realidade e se relacionar com ela. Não é um sujeito passivo, ela é ato puro e interfere em seu campo existencial e social. Quando a criança está brincando ela está fazendo uma coisa séria. Ela está na ação do seu desenvolvimento e processando os seus valores para consigo e com a vida. Adulto deixa a criança ser criança.
Existe adulto que observa uma criança brincar e não consegue perceber o valor do sentido daquela brincadeira e logo comenta: Qualquer besteira diverte uma criança; criança tem cada brincadeira sem sentido; tem cada criança sem graça para brincar; nossa será que meu filho está louco?! Fala sozinha enquanto brinca. Será delírio ou alucinação? É, acho melhor leva-lo ao médico não está normal, pois cria tanta fantasia enquanto brinca....
Diante desse cenário lúdico é percebido que a criança nesse faz de conta representa toda a sua sensibilidade, expressa o que atinge seu prazer, desprazer, vontade, desejo, coragem ou medo. A criança no brincar monta em cena o sentido que o mundo têm para lhe oferecer. Ela agindo no "como se" ou "fazendo de conta que" poderá explorar suas reações e experiências para reduzir a carga de ansiedade que algumas situações lhe trazem.
A criança no brincar também explora toda sua memória armazenada. Enquanto brinca com os objetos e dá voz aos personagens, a criança está incorporando expectativas e perspectivas de valores, opiniões e conquistando habilidades para a relação interpessoal. A criança em seu papel de protagonista vive sua realidade subjetiva, vivência de emoções. O brincar fortalece sua sensibilidade, habilidade, criatividade e espontaneidade.
A brincadeira oferece para criança liberdade de explorar suas reações e experiências vividas, seus conflitos emocionais e seus traumas numa posição segura e menos amedrontada, punitiva que na vida real.
Fica claro que nem sempre o que a criança representa no palco lúdico é de forma intencional, consciente, isto é, a maioria das vezes é determinado pelo inconsciente.