Dessentir a vida é o ato do suicida. Não existe para ele o medo da morte, pois vive ela como sua vida e sua vida como a morte. O suicida caminha nas bordas do oráculo, gira o próprio antigiro do tempo, formatando e desfragmentando o seu não Ser. Ele não desmerece a vida e tampouco é apreciador da morte.
O suicida caminha para além da fronteira da vida e da morte, aliás, não existe a vida e tampouco a morte. Não é necessário morrer para viver e viver para morrer. Isto só faz sentido aos neuróticos e psicóticos.
Não há filosofia, sufista, doutrinas, dogmas, senso comum e ciência que conseguem exprimir o âmago do suicida.
No sentido do dessentir do suicida, o seu âmago é o próprio desâmago .O suicida são as costuras invisíveis do espaço e tempo. É como se: um corpo sem pele; um coração sem sangue; pés sem plantas; pupila sem esclera; rosto sem face; o invisível do invisível; é a sombra da sombra; o medo do medo; a vida da vida; é o anjo do anjo; o demônio do demônio.
É o suicida o silêncio da vida e vida da morte. É a mistura triturada da neurose e psicose. É a despalavra do vocabulário.
É isto mesmo! O suicida provoca em você, o mesmo que a leitura deste texto está lhe provocando, todas as sensações de indagações e indignações por não entender e compreender o raciocínio lógico deste texto. Logo poderá até dizer; nossa que loucura este texto que não diz nada com nada, só possui frases desconexas e sem sentido algum. Mas isto é comum acontecer, pois o Ser que se diz humano não é capaz em seu cotidiano de sua vida parar em e no tempo e desporalizar-se para sentir a verdadeira compreensão do suicida, visto que, o raciocínio lógico está em função para apenas sentir a indiganção, o julgamento e rotular o suicida como; Isto é covardia fazer isto com a própria vida; este não pensou nem na própria família; que suicida mais egoísta só pensou em sua dor em seu propósito etc.
Para o suicida não existe julgamento e polidez. Ele não vive a exposição e disposição do seu Juízo, sabedoria, alucinação e delírio, sentenciar algo ou alguém. Está desprendido de tudo. Avidez do dessentir é sua obsessão ao extremo de Céu a Terra, da vida a morte, do ser a não ser, do ego a alterego...
O falso suicida se faz o ralo de toda humanidade, por onde escorre toda a poluição física e psíquica-emocional.
O suicida é apenas o pressagio da existência humana. Ele é uma espécie da desconciência humana. Porém não é o resultado da opressão e da depreciação social, familiar e conjugal. Não cabe ao suicida apenas coisificá-lo e torná-lo como obejto de estudo e no final terminar em justificativa o seu ato suicida. A suma do suicida é para além do pensamento contemporâneo, moderno, não basta classificá-lo em estatísticas dos conflitos do universo social ou classificá-lo em padrão de patologia e de tipos de suicida ou como aberração da sociedade.
O suicida sabe do porque, para que e como morrer. Em sua forma destemporal se organiza em seu ritual, o dia, a hora, o local e de que maneira utilizar a ferramenta para desprender do caminho da existência humana. Ele é silencioso, não ameaça e faz acontecer. Sutil e cauteloso.
O suicida está atento aos seus próprios movimentos e também atento nos movimentos do outro e do universo social.
Você leitor como descreve e percebe um suicida?
Léa Conforti de O. Prudente

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ResponderExcluirO suicida, na minha visão puramente humana, sem pudor e compaixão, é de um ser que não percebe o enorme previlégio de estar vivo, para, mesmo com tatos conflitos (psiquiátricos ou não) buscar ajuda, seja em Deus ou até no homem, do quê fazer uma viagem para o inferno; literalmente.
ResponderExcluirLamentável nenhum que já se foi dessa vida pra ler minha opinião.
Talvez não sirva pra nada, mas tenho oportunidade e o faço.
Cordialmente.
Talvez o suicida não queira viajar para o inferno , mas sim sair dele.
ResponderExcluirInferno ou céu, é coisa de deuses e, suicídios é coisa dos homens.
Sabe Léa, "O falso suicida se faz o ralo de toda humanidade, por onde escorre toda a poluição física e psíquica-emocional" é muito profundo isto e tão antigo como o rabicho do primeiro espermatozóide, mas tudo isto faz parte da magia da vida humana, onde não se deve perder o rumo para não perder a razão de poder existir.
De fato a razão para Kant era um elemento que poderia ser quantificado, embora abstrato e, também vivenciado pelo oculto em sua maior parte, mas a razão para o suicida me parece como sendo uma sopa de letrinhas.
Amanda,quando voce diz "Talvez não sirva pra nada, mas tenho oportunidade e o faço", se eu fosse um suicida, procuraria sua mão para me segurar, porque a sinto firme em sua fé, e reta em sua vida.
Léo s. bella